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Visões e vivências
latino-americanas
do Cultura Viva

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“Visões e vivências latino-americanas do Cultura Viva” é, antes de tudo, fruto de um esforço coletivo, seja pelas várias mãos que contribuíram textualmente para a sua consecução, seja pela atuação de “ponteiras” e “ponteiros” da nossa Rede Cearense Cultura Viva, que não apenas, por um processo de luta persistente, interromperam o fluxo de morte que vinha se delineando para o Programa Cultura Viva no Ceará, como também desencadearam e promoveram avanços significativos, ímpares no contexto político pelo qual padece nosso país.

Um padecimento que se acentuou dramaticamente com o golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, sustentado pelo capital nacional colonizado e pelo capital internacional imperialista, e que atinge seu ápice em 2019, com a posse do presidente seguramente mais precário cognitiva e eticamente que este país já conheceu, um inimigo declarado da Cultura e dos Direitos Humanos.

Este livro é um marco desse processo, um produto amadurecido da nossa trajetória. Uma trajetória na qual, em um curto espaço de tempo, a Comissão Cearense Cultura Viva e a Rede Estadual Cultura Viva pensaram e realizaram o IV Fórum Cearense Cultura Viva e a I Teia Cearense Cultura Viva, com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Além disso, construíram a Lei Estadual Cultura Viva, lei que tem o espírito do Cultura Viva, pois foi redigida por membros e membras da nossa Rede, com os ajustes inevitáveis do palavreado jurídico. Trata-se de uma das leis mais avançadas que conhecemos, tanto nos conceitos quanto nos seus objetivos, eixos estruturantes, institucionalidade e fomento.

É importante salientar isso, pois, quando as leis são sancionadas pelo mandatário de plantão, toda luta e toda a história sobre o processo que culmina com a sanção são frequentemente esquecidas. É preciso descolonizar o modo de contar a história e de atribuir os créditos. Os créditos são nossos, inclusive pela parceria que ora mantemos com a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Digo “ora” porque, na vida política, tudo pode mudar rapidamente e, certamente, estaremos preparados para isso, fortalecidos em nossa autonomia e articulação.

Foi, reitere-se, pela insistência, persistência e tensionamento junto à Secult que o caminho necrológico do Cultura Viva no Ceará foi interrompido.

Vamos ao livro.

Dez capítulos e um anexo compõem esta primeira publicação da Rede Cearense Cultura Viva. No anexo encontra-se a nossa Lei Estadual Cultura Viva na íntegra, texto que encerra o livro. Quanto aos capítulos, os cinco primeiros se voltam para visões e vivências brasileiras, enquanto os outros cinco abordam a América Latina como um todo, com destaque para experiências da Argentina, Chile, Equador e Peru.

No texto de abertura, “Cultura Viva – reflexões sobre a experiência brasileira”, apresenta-se uma perspectiva sobre a história do Cultura Viva no Brasil, o desenvolvimento dos conceitos e algumas ressignificações e contextualizações construídas no Ceará.

Do segundo ao quinto texto, são apresentados olhares sobre o Ceará e sobre o movimento brasileiro dos Pontos de Cultura e do Programa Cultura Viva. Nesse percurso, Luís Carlos Menezes Dantas lança um olhar fundamental sobre a promoção da diversidade e a afirmação das identidades no contexto de uma política de cidadania cultural desenvolvida no Brasil a partir de 2004.

Na sequência, Mirna Carla Oliveira Sousa apresenta um olhar sobre o Cultura Viva no Ceará, destacando tanto o encantamento provocado por essa política quanto o desencanto gerado pela burocracia estatal, sendo o primeiro vetor predominante.

O quarto artigo, de Fabiano Piúba, traz a perspectiva do gestor, partindo do discurso de posse de Gilberto Gil, passando por práticas centrais do Cultura Viva e refletindo sobre os caminhos atuais dessa política.

A parte brasileira se encerra com o artigo de Cris Alves e Pedro Jatobá, que abordam o direito à comunicação como elemento central do Cultura Viva, analisando a conjuntura atual e sua relação com a comunicação.

O sexto artigo, de Alexandre Santine, introduz a perspectiva da Cultura Viva Comunitária na América Latina, dialogando com questões de identidade e diversidade.

O sétimo artigo, de Ricardo Talento, discute o conceito de cultura em uma perspectiva descolonizante, articulando-o com o “buen vivir” e com experiências como o teatro comunitário de Buenos Aires.

Daniela Pabón Marreiro apresenta um panorama histórico do movimento de Cultura Viva Comunitária no Equador, incluindo políticas públicas e a construção de uma linha do tempo até 2019.

O nono artigo, de Nikanor Molinares, aborda a experiência chilena, discutindo temas como linguagem, invisibilização das culturas populares e organização comunitária.

O último artigo, assinado pela Plataforma de Cultura Viva Comunitária de Lima, apresenta elementos organizativos, princípios e ações da Rede no Peru, além de reflexões sobre políticas culturais.

Um anexo encerra a publicação com a Lei Cearense Cultura Viva (Lei 16.602, de 05 de julho de 2018), fruto do esforço coletivo da Rede Cearense.

Encerrando, registro agradecimentos a pessoas fundamentais para o fortalecimento do Cultura Viva no Ceará.

Agradeço a Mirna Carla pela dedicação incansável e parceria nesse processo de reconstrução da Rede.

Agradeço a Lu Lima e Robéria Oliveira pela atuação comprometida desde 2014.

Agradeço ao secretário Fabiano Piúba e sua equipe pelo diálogo institucional que possibilitou avanços importantes.

Agradeço a todos os membros e membras da Comissão Cearense Cultura Viva e parceiros que constroem esse processo coletivo em suas localidades.

Registro um agradecimento especial a Marivalda Cariri e Mestre Pena, representando todos os ponteiros e ponteiras cearenses.

Por fim, agradeço profundamente a Christiane Ribeiro, companheira de vida e luta, e ao meu filho João Arthur, parceiro de caminhada.

Marcos Antonio Monte Rocha
Ponto de Cultura Outros Olhares/Fábrica de Imagens
Comissão Cearense Cultura Viva
Comissão Nacional dos Pontos de Cultura / GT de Gênero
Rede Latino-americana de Gênero e Cultura

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